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sábado, 21 de agosto de 2010

Sangue Cinza II

Metropolisapiens,
mais um dia acorda.
Sempre como quem não dorme.
Abre a mesma caixa de leite.
A continua vendo o branco, cinza.



O asfalto faz parte de seus atos.
O pixe gruda suas veias.
A fumaça já lhe é necessaria.
Imprescindivel,
o mundano,
respira industria como quem dá goles de mosto.



E de lama lambusa seu rosto.
Essa mistura de fezes e cheiros burgueses
É perfume aos olhos do duro.
Os olhos do mundo lhe parecem infimos.
Megalomano, ele sempre quer mais.
Tudo é pouco.
Abre a segunda caixa de leite.
E não dá nenhum gole,



É adepto apocaliptico.
Não começa nada, mas ver acabar lhe da gosto.
Sentir-se a ultima bolacha.
O ultimo ponto.
A ultima palavra
é sempre da metropole.



Seu caminho é sempre o mesmo.
Sua locomoção é inerte.
Mover-se dentro de seu dominio é matematico.
Um dançar cadenciado e frio.
Conta os segundos de cada semaforo.

O mundano é preso.
Se protégé de si mesmo.
Entre barras e numeros chega a labuta.
Nessa hora venera a hierarquia.
Aceita despotas, vangloria os mais escrotos.

Rasgados ovacionam rotos.
A maquina na mão do mundando não para.
Mas as 6 para o mundo.
Toca o apito e todos são de todos.
Happy-hour, sad-night.



A vanguarda
anda de guarda.
Nos resquicios da velada.
E continua acordado até o sol nascer.
Era sexta feira.
Nem deus trabalhou nesse dia.
Se o fez não era deus.
O mundano anda no topo do mundo.
A frente,
a toda,
anda imundo.



After e mais um festa
jogado nos braços de Audus.
Tentando satelizar seu espaço
nunca respeita seus limites.
É um rato de laboratorio.
Cobaia da cobiça.
Um prototipo de teste.



Lhe é permitido errar.
Pois sua metropole é maquina.
Fria, calcula o erro com antecedencia.
E devolve o pixe organico ao seu lugar.

Urbanoide escuta o relogio externo.
E sente algo fisico:

Sono.

Dorme
e já não mais precisa sonhar.

Um comentário:

Giuliana Maccarone disse...

VIDRO DE PERFUME SEM RÓTULO
ESSÊNCIA SEM DIAGNÓSTICO
UMA VEZ A MARCA REGISTRADA
TENTOU TIRAR MEUS ÓCULOS.

Muito bom, Gini.