Zarolho
Deficiente dum sentido ou ambos abrolhos.
Já neles não mandava.
Nunca fixava,
o binóculo em posição alguma.
Inadequado,
devido a falta de controle ocular,
lhe retorciam os músculos da face.
Tão perdido seu foco era
que podia ver gatas,
ninfas e piranhas no mesmo olho
sem perde-las,
nem de vista.
Esse,
era Zenão,
carimbado,
estampado
e sempre atento
a qualquer movimento
brusco,
ou não.
O tipo de tipo
que só olhava para si,
sempre assustou a criançada do pórtico,
com sua imitação da Dercy.
Alguns o diziam fugidio,
outros reticente.
Zarolho era ele, pra muita gente.
Seu moço,
em breve esboço
de encarar a cara dos que lhe zombavam
para retrucar tais xingamentos puristas
dava em cheio com algum passante
e em tom desafiante
iniciava uma peleja.
Brigando sempre contra duas visões,
ele acabava aturdido.
Entre a sombra de seu próprio gemido,
o peixe e a ninfa.
Zenão
convergente,
diferente doutra gente
sempre tinha
aa mão
um argumento retrucão a
a vista reta e fálica de Epicuro.
Dizia:
Crates mestre, eu juro.
Que se minha janela fosse boa,
eu não perambularia a toa,
pelos olhares externos de uma varanda,
pra encontrar um osculo de paz,
estaria eu sentado com a velhice que me é de direito,
sem saltar-me as veias do peito
pra combater essa putaria.
Dos cursitas d’alforria desta juventude envesgada.
Isto ao menos far-me-ia heróico,
ou algo estóico
frente a essa iminente vesguice.
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