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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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Zarolho

Deficiente dum sentido ou ambos abrolhos.
Já neles não mandava.
Nunca fixava,
o binóculo em posição alguma.
Inadequado,
devido a falta de controle ocular,
lhe retorciam os músculos da face.
Tão perdido seu foco era
que podia ver gatas,
ninfas e piranhas no mesmo olho
sem perde-las,
nem de vista.

Esse,
era Zenão,
carimbado,
estampado
e sempre atento
a qualquer movimento
brusco,
ou não.

O tipo de tipo
que só olhava para si,
sempre assustou a criançada do pórtico,
com sua imitação da Dercy.
Alguns o diziam fugidio,
outros reticente.
Zarolho era ele, pra muita gente.

Seu moço,
em breve esboço
de encarar a cara dos que lhe zombavam
para retrucar tais xingamentos puristas
dava em cheio com algum passante
e em tom desafiante
iniciava uma peleja.

Brigando sempre contra duas visões,
ele acabava aturdido.
Entre a sombra de seu próprio gemido,
o peixe e a ninfa.



Zenão
convergente,
diferente doutra gente
sempre tinha
aa mão
um argumento retrucão a
a vista reta e fálica de Epicuro.
Dizia:
Crates mestre, eu juro.
Que se minha janela fosse boa,
eu não perambularia a toa,
pelos olhares externos de uma varanda,
pra encontrar um osculo de paz,
estaria eu sentado com a velhice que me é de direito,
sem saltar-me as veias do peito
pra combater essa putaria.
Dos cursitas d’alforria desta juventude envesgada.
Isto ao menos far-me-ia heróico,
ou algo estóico
frente a essa iminente vesguice.

Fusão de matéria

Completou o que faltavam,
Aas existencias de cada inteiro,
E se encaixaram, sem defeito,
Dois corpos, que se buscavam.
Assim se deu inicio, a mais velha fodeção.
Da pensante e o coração,
Trocando venenosa fala,
Ela de puta, ele de gala.
Cada qual com sua mascara,
Enganando em quanto transa,
Hora tempestade, hora bonanza.
Deu-se um éticú, chupou-se arteria,
Até que a fusão da máteria,
Juntou dois opostos findando,
Aquela putaria-de-gala.
Que se passava-nasala.

Fusão de matéria

Completou o que faltavam,
Aas existencias de cada inteiro,
E se encaixaram, sem defeito,
Dois corpos, que se buscavam.
Assim se deu inicio, a mais velha fodeção.
Da pensante e o coração,
Trocando venenosa fala,
Ela de puta, ele de gala.
Cada qual com sua mascara,
Enganando em quanto transa,
Hora tempestade, hora bonanza.
Deu-se um éticú, chupou-se arteria,
Até que a fusão da máteria,
Juntos dois oposto findando,
Aquela putaria-de-gala.
Que se passava-nasala.

pergunta-me ou devoro-te!

Quando a intimidade cabe em um instante
Como é possivel envolver-se pelo razo?
Quem designou o valor da entrega
Onde acabou nossa individualidade?

Quanta saudade cabe em uma noite
Como dar-se a alguém desconhecido?
Quem sabe quanto tempo esperamos
Onde chegamos com esse reciprocidade?


Quando fundir-se foi tão fácil
Como deixamos passar o limite?
Quem baixou a guarda escaldada
Onde juntamos nossos medos?


Quanta paixão cabe num desmaio
Como pudemos confiar no outro?
Quem liberou nossa inconseqüência,
Onde ficou evidente o gostar?


Quando se deve levar a serio,
Como protegemos nossas feridas?
Quem consentiu esse erro de percurso
Onde colocamos nossa maturidade?


Perguntas movem o batepeito,
Perguntas sem resposta.
Perguntas questionaveis,
E não responde-las é intimo.

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Há terapia no papel em branco,
De orelhas vivem livros,
Escutando o que dizem dizer
escrutadores de sentimentos.
Imprime-se a impressão,
Da unica obra dum.
E faz-se a face exterior,
De algo sem passado.
Criando um novo ponto no escuro.
Que sozinho nada mais é
que
Terapia de papel em branco.

Platão

O espelho não espelha,
Engana quem espera,
encontrar num outro eu,
E resposta do primeiro.

Reflete a pretensão,
De se ver com outros angulos,
E se perde no obtuso
Que parece parecer.
A imagem não é
A semelhança àparecer.
Senão uma reles concordancia,
Desse que busca na pujança,
Do seu lirico-ser,
A imagem que queria ter amado.
E se prostra ao seu lado,
Qual miragem,
No mais gélido e espelhado deserto.
E se mostra outro fardo.
Qual roupagem.
No mais, ve o longe mesmo perto.