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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Poema ao pai.

Pai,
não mereces cartas.
Foste perfeito em seus tortos atos.
Foste sempre heroi.
Sempre fui tua cria.
Teu mimo, a menina de teus olhos.
Me deste de mamar:
Educação rigida, etica intolerante e liberdade absoluta.
Fez-me quem nunca foste.
Uma censura tangivel.
Eu, que, ainda fui-te quando pequeno.
Serei-te quando crescer.
Mas farei tudo que não fizeste.
Seremos duas experiencias unicas.
Em dois corpos iguais.

Somos apenas, somos.

Castras-te-me quando quizes-te.
Privas-te-me a teu gosto.
Fizes-te-me humano.
Um homem mundano.
Descrente do engano.
Formou-me etico profano.
Meu porto seguro é paterno.
Moderno, um pai terno.

Sou tu, eres eu,
em minha época, sua replica.
Feito pra fazer outra vez,
O que o primeiro vivente não fez.
Juntos,
sempre quebramos a linha do tempo.
Podemos,
reopinar as opções.
Refazer os atos.
Pensamos duas vezes antes de pensar.
Somos um numero imensuravel inumeravel,
Numeros pais
Numeros filhos.
Somos relativos.
Sou,
Grato sou por suas aspirações.
Por cada gota de sangue abdicada.
Amo cada moralidade,
sou parte de suas saudades.
Devo-te uma vida toda.
Em bio-moeda.
Hipotequei meu destino.
A mim mesmo,
a outro humano,
em parcelas.
Me sinto obrigado a parafrasear-te.
Copiando tuas duvidas.
Descubro tuas curiosidades.
Desvelo teus segredos.
Desafiando teus medos.

Pai meu, sou-te a outra chance.
Sou-te o alter-ego.

De teu ventre de amor nasci torto.
Fraco e malnascido.
Um humano falido, esmorecido.

Pai meu, sou-te a outra face.
Sou-te o limbo.

De tuas convicções aprendi da morte.
Forte e decidido.
Um humano aturdido, crescido.


Pai meu amo-te como nunca amaste.
Amo-te até a nuca.
Por todo o cortex.
Por todos os dias.
Amo-te como a mim.
Pai meu amo-te como nunca amou-se.

3 comentários:

Juliana O. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juliana O. disse...

engraçado. acabei de ler misto quente.

Anônimo disse...

onde???