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terça-feira, 13 de maio de 2008

Autópsia

Guardo no peito
a dor de um leito.
Escondo de mim e de outros mortos.
A dor, que me cega,
onde me deito.

Ancoro em inexistentes portos.
Me reprimo sentimentos fortes.
Me oprimo a um batimento cortes.
As lágrimas não passam de material.
Transformam a dor em algo carnal.

Gotas de desespero brotam em meu peito.
Como flores brotando de esterco.
O guarda da dor é meu peito que não pensa.
E sofre uma febre venal por vezes tensa.
Guardo em meu peito uma família.
Mãe, tia e prima.
Guardo no meu peito meu contento.
E o guarda do contento é meu peito.
Ele me bate a cada batimento.
Me surra a cada sofrimento.
Agora a pedra metamórfica é quase lava.
Ela que em outros tempos congelava.
Agora pulsa com o pulso da repulsa.
E cospe sangue pela culatra
Alguém me de uma serra.
Autopsia sem morfina me finda a guerra.
Prestes a abrir seu peito com a mão ele grita ao pleito.
“Corte-me a cabeça, mas guardem meu peito”

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